POR QUE A TRADUÇÃO?

Hoje, mais de 180 milhões de pessoas não têm nem ao menos um versículo traduzido em sua língua materna. O número de idiomas em que a tradução da Bíblia ainda é necessária é de 2.184*. No Brasil, de um total de 344 etnias indígenas, temos 94 que são isoladas ou necessitam de mais pesquisas. Dentre os 250 povos conhecidos, apenas 6 contam com a Bíblia completa, 39 com o Novo Testamento completo e há ainda alguns povos que possuem apenas porções bíblicas. De acordo com o Relatório do DAI atualizado em 2018**, existem 164 etnias não-alcançadas no país e há claramente a necessidade de tradução bíblica para 11 línguas indígenas. 

Como afirma Ronaldo Lidorio, “o desafio vai muito além das estatísticas e das palavras, pois e composto por faces, historias e culturas milenares, as quais tem sofrido ao longo dos séculos a devassa dos conquistadores, a forte imposição socioeconômica, etnofagias e perdas culturais irreversíveis”. 

* Baseado no relatório da Aliança Global Wycliffe de Out 2018, que inclui as diferentes línguas de sinais no mundo.

** DAI – AMTB. Relatório Indígenas do Brasil –Atualização 2018. 

Contexto brasileiro

Nosso país possui a maior densidade linguística e diversidade genética dentro do contexto sul-americano e, paradoxalmente, uma das menores concentrações demográficas por língua falada. As 181línguas indígenas são distribuídas em 41 famílias, dois troncos e uma variedade desconhecida de línguas isoladas . Em meio a esta gritante diversidade apenas 3 etnias (Tikuna, Kaingang e Kaiwá) possuem mais de 20.000 pessoas e a média de falantes por língua é de 196 pessoas. 53 povos têm menos de 100 indivíduos e há aqueles com menos de 10 representantes como os Akunsu, com 7 pessoas, os Aruá com 6 e os Juma também com 7 indivíduos. 

Tais grupos minoritários também precisam de nossa atenção para que seja cumprir nosso chamado de fazer o Evangelho conhecido em todos os povos, línguas e nações. Para alcançá-los, assim como as demais etnias sem presença missionaria ou igreja indígena, precisamos de mais obreiros (estrangeiros, brasileiros e indígenas) dispostos a se esmerar no estudo linguístico e se preparar da melhor forma possível para transmitir o evangelho para estes grupos. 

Como explica o pastor Ronaldo Lidorio, o “bloco indígena” em nosso país estava totalmente desassociado do movimento de crescimento de Igreja do restante da nação e a maior prova disto é que segundo o missiólogo Enoque Faria temos hoje o mesmo número de missionários entre indígenas que tínhamos 10 anos atrás, mostrando que este é um movimento colocado à parte pela grande massa de igrejas brasileiras. A obra missionária bem como os missionários que trabalham em países além mar possuíam mais reconhecimento, ou status ministerial, do que missionários que atuavam entre indígenas brasileiros mostrando que em nossa prática missionária quanto mais longe melhor. Além disso, pelo menos 80% dos candidatos à obra missionária transcultural em seminários e cursos bíblicos com os quais me deparava possuíam um forte desejo de servir ao Senhor além mar e poucos pensavam na possibilidade indígena.

Preservação cultural e linguística

O Apelo da Subsistência Linguística Michael Kraus afirma que 27% das línguas sul-americanas não são mais aprendidas pelas crianças. Significa que um número cada vez maior de crianças indígenas perde seu poder de comunicação a cada dia. Isto possui raízes diferenciadas que vão desde a imposição socioeconômica nas tribos mais próximas dos vilarejos e povoados até a falta de uma proposta educacional na língua materna, fazendo-os migrar para o Português ou outra língua indígena predominante na região. Rodrigues estima que, na época da conquista, eram faladas 1273 línguas, ou seja, perdemos 85% de nossa diversidade linguística em 500 anos. 

Luciana Storto delata uma crise sociolinguística no estado de Rondônia onde 65% das línguas estão seriamente em perigo por não serem mais usadas pelas crianças e por terem um numero pequeno de falantes. Precisamos perceber que a perda linguística está associada a perdas culturais irreparáveis como a transmissão do conhecimento, formas artísticas, tradições orais, perspectivas ontológicas e cosmológicas. Perde-se também a ponte de comunicação para um pleno entendimento do evangelho. 

No processo de perda linguística e migração para o Português, os grupos indígenas normalmente passam por um processo de adaptação quando não possuem mais fluência na antiga língua materna e também não aprenderam o suficiente do novo idioma, para uma comunicação mais profunda. Este é um momento de perigo e perdas quando a identidade indígena é autoquestionada, seus valores substituídos e, sobretudo, seu poder de comunicação diminuído.

“A presença missionária catalogando, analisando e registrando a língua indígena a valoriza perante seu próprio povo e abre caminho para sua preservação. O evangelho, assim, não apenas responde os questionamentos da alma mas contribui para a sobrevivência cultural”.

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