Como na Primeira Páscoa

Pela primeira vez na história do povo de Deus após a libertação do cativeiro no Egito, a celebração pascal ao redor do mundo precisou ocorrer dentro das próprias casas, assim como foi com os israelitas quando a Páscoa foi instituída. Em essência, o motivo de hoje é igual ao daqueles dias: a preservação da vida, diante do risco de morte do lado de fora.

Esse elemento inédito de comparação se soma a outros, que se repetem ao longo do tempo e evidenciam o significado profundo deste evento, que Deus quis que fosse celebrado para sempre: “Este dia vos será por memorial, e o celebrareis como solenidade ao Senhor; nas vossas gerações o celebrarei por estatuto perpétuo” Ex 12.14.

Uma das milhares de celebrações de Páscoa foi essencial para estabelecer as diferenças profundas entre este evento na antiguidade e na atualidade. Começa com a preparação, orientada por Jesus: “O Mestre manda dizer: O meu tempo está próximo; em tua casa celebrarei a Páscoa com os meus discípulos. E eles fizeram como Jesus lhes ordenara e prepararam a Páscoa” (Mt 26.18b). Tudo parecia caminhar para uma cerimônia bem conhecida dos judeus até que “tomou Jesus um pão, e, abençoando-o, o partiu, e o deu aos discípulos, dizendo: Tomai, comei; isto é o meu corpo. A seguir, tomou um cálice e, tendo dado graças, o deu aos discípulos, dizendo: Bebei dele todos; porque isto é o meu sangue, o sangue da [nova] aliança, derramado em favor de muitos para remissão de pecados” (Mt 26.26-28). Seguiu-se o doloroso processo pelo qual o Cordeiro de Deus foi imolado.

Quem orientou a preparação da primeira Páscoa foi o próprio Deus: “Tomarão do sangue o porão em ambas as ombreiras e na verga da porta, nas casas em que o comerem […] Naquela noite, comerão a carne assada no fogo. Com pães asmos e ervas amargas a comerão” (Ex 12.7,8). No Egito, muitos cordeiros sem defeito tiveram que ser imolados, mas em Jerusalém, bastou um único e perfeito Cordeiro. O sangue dos cordeiros dos israelitas salvou muitos da morte física, conforme Deus havia antecipado: “quando eu vir o sangue, passarei por vós, e não haverá entre vós praga destruidora quando eu ferir a terra do Egito” (Ex 12.13b). O sangue de Cristo salvou muitos da morte eterna, pois “ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor, no qual temos a redenção a remissão dos pecados” (Cl 1.13,14).

Os pães asmos e o sangue do cordeiro haviam adquirido um novo e supremo significado. Estava consumado o projeto mais profundo de Deus para a humanidade, juntamente com a ressurreição de Jesus Cristo e sua vitória sobre a morte. Os israelitas precisaram oferecer sacrifício para sua salvação. “Jesus, porém, tendo oferecido, para sempre, um único sacrifício pelos pecados, assentou-se à destra de Deus” (Hb 10.12), dispensando os crentes de hoje de oferecer sacrifícios por sua salvação, que é concedida pela graça de Deus, mediante a fé.

A primeira Páscoa foi celebrada e “naquele mesmo dia, tirou o Senhor os filhos de Israel do Egito” (Ex 12.51), conforme motivo apresentado diversas vezes ao faraó: “O Senhor, o Deus dos hebreus, me enviou a ti para te dizer: Deixa ir o meu povo, para que me sirva no deserto” (Ex 7.16). Após a Páscoa vivida por Cristo, seu sangue purificou “a nossa consciência de obras mortas, para servirmos ao Deus vivo!” (Hb 9.14).

Libertos da escravidão do Egito, os israelitas peregrinaram em direção à terra prometida e “o Senhor ia adiante deles, durante o dia, numa coluna de nuvem, para ao guiar pelo caminho; durante a noite, uma coluna de fogo para os alumiar” (Ex 13.21). Libertos da escravidão do pecado, os crentes peregrinam hoje pelo novo e vivo caminho aberto por Jesus Cristo, com a segurança de sua presença constante: “E eis que estou convosco todos os dias até a consumação do século” (Mt. 28.20b). Seguem em direção à nova Jerusalém “e Deus mesmo estará com eles. E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem prato, nem dor… (Ap 21.3c,4)

Por Raquel Vilella

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