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Porque tradução?

Escrito por Alessandra Postali

Atualmente, ao redor do mundo, temos 7.361 línguas vivas conhecidas, incluindo as línguas de sinais. Destas, 683 possuem a Bíblia completa traduzida, 1.534 o Novo Testamento, 1.133 contam com porções das Escrituras e as restantes 4.011 não possuem a Palavra de Deus. Os dados são do último relatório da Aliança Global Wycliffe, publicado em outubro de 2018.

Hoje, mais de 180 milhões de pessoas, usando 1.879 línguas faladas e 284 línguas de sinais, não têm nem ao menos um versículo traduzido em sua língua materna. E pelo menos 1,5 bilhão de pessoas não têm a Bíblia completa disponível em sua primeira língua. O número de línguas que ainda precisam iniciar a tradução é de 1.636.  Enquanto isso, as Escrituras foram traduzidas em mais de 3.350 idiomas. Mais de 700 milhões têm o Novo Testamento; outros têm porções ou pelo menos algum nível de tradução ou trabalho preparatório iniciado. E existe uma tradução ativa e/ou desenvolvimento linguístico conhecidos ocorrendo em 2.658 línguas em mais de 170 países.

Contexto brasileiro

No Brasil, existem 257 etnias indígenas – o que compõe mais de 600.000 pessoas (52% em aldeamentos e 48% em regiões urbanizadas – 60% habita a Amazônia Legal). Apenas quatro etnias possuem a bíblia completa traduzida em suas línguas. Temos organizações missionárias trabalhando arduamente para alcançá-las, mas ainda existe um vasto campo que necessita de trabalhadores.

Nosso país possui a maior densidade lingüística e diversidade genética dentro do contexto sul-americano e, paradoxalmente, uma das menores concentrações demográficas por língua falada. As 181 línguas indígenas são distribuídas em 41 famílias, dois troncos e uma variedade desconhecida de línguas isoladas . Em meio a esta gritante diversidade, apenas 3 etnias (Tikuna, Kaingang e Kaiwá) possuem mais de 20.000 pessoas e a média de falantes por língua é de 196 pessoas. 53 povos têm menos de 100 indivíduos e há aqueles com menos de 10 representantes como os Akunsu, com 7 pessoas, os Arua com 6 e os Juma também com 7 indivíduos.

Tais grupos minoritários também precisam de nossa atenção para que seja possível cumprir nosso chamado de fazer o Evangelho conhecido em todos os povos, línguas e nações. Para alcançá-los, assim como as demais etnias sem presença missionária ou igreja indígena, precisamos de mais obreiros (estrangeiros, brasileiros e indígenas) dispostos a se esmerar no estudo lingüístico e se preparar da melhor forma possível para transmitir o evangelho para estes grupos.

Mas como afirma Ronaldo Lidório, “o desafio vai muito além das estatísticas e das palavras, pois é composto por faces, histórias e culturas milenares, as quais têm sofrido ao longo dos séculos a devassa dos conquistadores, a forte imposição socioeconômica, etnografias e perdas culturais irreversíveis”.

Preservação cultural e linguística

Outro ponto a ser levado em conta é que muitas das línguas sul-americanas não são mais aprendidas pelas crianças. Isso quer dizer que um número cada vez maior de crianças indígenas perde seu poder de comunicação a cada dia. “Isto possui raízes diferenciadas que vão desde a imposição socioeconômica nas tribos mais próximas dos vilarejos e povoados até a falta de uma proposta educacional na língua materna, fazendo-os migrar para o português ou outra língua indígena predominante na região”, compartilha Lidório.


É importante entender que essa perda linguística leva a perdas irreparáveis como de transmissão do conhecimento, expressões artísticas, tradições orais, perspectivas ontológicas e cosmológicas. “Perde-se também a ponte de comunicação para um pleno entendimento do evangelho”.  

Nós sempre compartilhamos a importância da leitura da Bíblia na língua materna de um povo e a valorização da língua está entre os motivos para tal pensamento e ministério.

“A presença missionária catalogando, analisando e registrando a língua indígena a valoriza perante seu próprio povo e abre caminho para sua preservação. O evangelho, assim, não apenas responde os questionamentos da alma, mas contribui para a sobrevivência cultural”. Ronaldo Lidório

Realidade indígena no Brasil, segundo o relatório atualizado em 2018 pelo DAI (Departamento de Assuntos Indígenas/AMTB) e DP (Departamento de Pesquisas da AMTB):

  • 344 povos indígenas no Brasil, sendo 250 conhecidos oficialmente, 28 isolados* e 66 a pesquisar;
  • Dos 250 conhecidos, 19 são classificados como alcançados, 67 menos alcançados (PMA) e 164 como não alcançados (PNA). Destes 164, 65 possuem alguma iniciativa missionária em andamento e 99 são não engajados (PNE), ou seja, sem presença cristã ou missionária;
  • Dos 99 povos não-engajados, que representam mais de 75 mil indigenas, 57 estão localizados na região Norte do país (mais da metade deles estão no Amazonas) e 25 na região Nordeste.
  • São 181 línguas indígenas brasileiras, sendo que 58 possuem porções bíblicas (6 com ela completa e 37 com o Novo Testamento;
  • 99 povos sem presença missionária e 65 com 2% ou menos de presença missionária;
  • 164 povos sem presença de igreja autóctone;
  • 182 etnias com presença missionária evangélica;

*São considerados isolados, os grupos ou segmentos que não mantêm contato com a população majoritária, ou quando esse contato é raro.

Ministérios e softwares a favor da tradução

Graças ao trabalho de ministérios, incluindo Faith Comes By Hearing, Jesus Film, Bibles.org, YouVersion, Scripture Earth, e softwares como o Paratext e o Scripture App Builder, as Escrituras estão disponíveis on-line e em formatos digitais, que podem ser compartilhados de telefone para telefone em mais de 1.600 línguas. O Find.Bible mantém uma lista pública crescente de onde encontrar as Escrituras através destes e de outros sites.

Conclusão

Quando as pessoas finalmente recebem as Escrituras em sua própria língua, as vidas são transformadas de formas surpreendentes. As pessoas mudam quando descobrem Jesus Cristo e têm em um relacionamento com Deus.

É por isso que a missão ALEM existe – para ajudar os falantes desses idiomas restantes a obter a Bíblia por si mesmos. Trabalhamos para que as pessoas tenham a Palavra de Deus em uma língua que elas entendam.

Confira o vídeo de uma de nossa missionárias, Heliana Silva, sobre a importância da tradução para um povo:

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